Na Cúpula dos Povos frente à COP30, a MMM trouxe para a agenda a força das soluções feministas 

28/11/2025 por

Fotos: Noelly

Mulheres defendem a Economia Feminista como solução para a crise climática

Durante a Cúpula dos Povos frente à COP30, que aconteceu entre 12 e 16 de novembro, 120 militantes da Marcha Mundial das Mulheres do Brasil e do mundo estiveram em Belém do Pará levando suas alternativas e experiências feministas para combater à crise climática. A Cúpula foi um momento importante da aliança global de movimentos sociais e organizações diversas para denunciar os impactos que as falsas soluções ambientais têm na sociedade e de apresentar as verdadeiras alternativas: as práticas baseadas na sustentabilidade da vida e nas relações inter e ecodependentes. Como descreveram Natália Lobo, Diovana da Silva, da MMM do Brasil, e Sophie Dowlar, da MMM Kênia “Diante das negociações da COP30, o feminismo popular denuncia a destruição ecológica causada pelo capitalismo e dá visibilidade aos trabalhos de cuidado que sustentam a vida, em sua maioria feitos por mulheres”.

As atividades organizadas pela MMM e as enlaçadas com outros movimentos aliados trouxeram para o debate na Cúpula a Economia Feminista como ferramenta central na luta por justiça climática. Durante a atividade Economia Feminista e Justiça Climática, atividade enlaçada e ligada ao eixo 6 “Feminismo popular e resistências das mulheres nos territórios”, nossas militantes lotaram um espaço de debates sobre as relações entre a Economia Feminista e a questão ambiental. Durante o debate, Maria Araújo, da MMM no Pará compartilhou como a economia feminista e a economia solidária fortalecem uma a outra e como são as mulheres que fazem essa perspectiva acontecer. 

Denunciando a COP30 como um espaço onde se debatem apenas falsas soluções, as mulheres criticaram as estratégias de financiamento climático que mantém desigualdades históricas e relações subordinadas entre o Norte e o Sul. Nessa atividade e em toda a agenda da Cúpula, defendemos a necessidade de reparação e soberania popular, para que os povos do Sul sejam as principais vozes ouvidas na construção de soluções. Considerando as questões específicas vividas por mulheres na região amazônica, defendemos o acesso dos povos aos rios e à terra, e afirmamos a luta contra o racismo ambiental como central na defesa da vida. Ao ocuparmos Belém com toda a nossa diversidade, valorizamos os saberes e experiências das mulheres indígenas, quilombolas e ribeirinhas como práticas concretas de enfrentamento da crise climática. 

Para nós da MMM, o processo político da Cúpula dos Povos se dá como parte de um conjunto de processos que formam a nossa 6º Ação Internacional, realizada a partir de momentos auto-organizados, mas também em atuação em aliança. São campos de ação na Cúpula e também no Fórum Nyéléni, que aconteceu em setembro deste ano, o tema da defesa dos bens comuns e a luta contra as empresas transnacionais, eixos de atuação da Marcha. Na Cúpula, nossos acúmulos e a agenda política das nossas lutas se refletiram na Declaração, que afirmou:

Não há vida sem natureza. Não há vida sem a ética e o trabalho de cuidados. Por isso, o feminismo é parte central do nosso projeto político. Colocamos o trabalho de reprodução da vida no centro, é isso que nos diferencia radicalmente dos que querem preservar a lógica e a dinâmica de um sistema econômico que prioriza o lucro e a acumulação privada de riquezas.

Entendendo que as forças que nos oprimem atuam a nível internacional, organizamos nossa luta, participação e construímos nossas alternativas a partir da solidariedade internacionalistas. Durante a Cúpula, nossas militantes da MMM ao redor do mundo participaram do tribunal das mulheres, um espaço de denúncia da violência colonialista e imperialista perpetuada na atualidade através das guerras e da ocupação. Nesse espaço, denunciamos os crimes contra a humanidade na Venezuela, Saara Ocidental, Palestina, Congo, Sudão e em tantos outros territórios ameaçados pelo colonialismo e imperialismo. 

Denunciamos o cerco comunicacional contra a Venezuela que há mais de vinte anos compartilha narrativas falsas e impede que o povo venezuelano compartilhem suas perspectivas com o mundo. Também as sanções econômicas e políticas que impedem que empresas, pessoas e nações tenham acordos comerciais com o país. “Temos direito a ter democracia socialista com protagonismo. O povo venezuelano é um povo forte que sonha”, compartilhou Alejandra Laprea da MMM Venezuela. 

Exigimos a descolonização do Saara Ocidental e a desocupação do Marrocos do território do povo saarauí. Desde 1975 até os dias atuais, a ocupação marroquina segue reprimindo e violentando o povo do Saara Ocidental. “Desde o coração de uma causa justa, exigimos a descolonização e a federalização do nosso território”, defendeu Chaba Seni da MMM Saara Ocidental. Rechaçamos a violência sexista perpetuada pelo exército de Israel contra as mulheres palestinas que sofrem com o uso da violência e do estupro como armas de guerra. Também a falta crônica de alimentos em um território onde milhares vivem em condições catastróficas e sem acesso à comida. Assalah Abu-Khdeir da MMM Palestina denunciou o fardo duplo das mulheres que se tornaram viúvas e agora lidam com o luto enquanto garantem a sobrevivência de suas famílias. 

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