Nota da MMM Alagoas em repúdio à empresa Águas do Sertão e às tentativas de silenciar a mobilização popular por acesso digno à água em São Miguel dos Campos

10/02/2026 por

Se nos tiram os direitos, se mercantilizam nossos bens comuns e tentam silenciar nossas vozes, SEREMOS RESISTÊNCIA!

A Marcha Mundial das Mulheres vem a público manifestar repúdio e solidariedade diante da situação enfrentada pela população de São Miguel dos Campos em Alagoas, que tem denunciado os abusos da empresa Águas do Sertão. Os relatos são graves e incluem falta de água constante, aumento abusivo nas tarifas que chegam a transformar contas simples em valores impagáveis e também a qualidade ruim da água, que compromete a saúde e configura uma condição insalubre para as famílias. Essa é uma violação direta do direito à água e da dignidade das famílias, especialmente das mulheres que sustentam seus lares.

Nos solidarizamos especialmente com a companheira Ana Luiza, que está sendo processada pela empresa por exercer seu direito legítimo de denunciar e mobilizar a população por melhorias. A tentativa de criminalizar quem luta só mostra o quanto empresas privadas se incomodam quando o povo se organiza. Não aceitaremos intimidação contra as mulheres que lutam pelos direitos do povo!

Repudiamos também a atitude autoritária do secretário de Comunicação e Cultura de São Miguel dos Campos, André Vieira, que tentou tomar o celular das mãos de Ana Luiza, numa clara tentativa de silenciar e intimidar. Essa ação revela perseguição política e desrespeito à liberdade de expressão, afetando diretamente o direito da comunidade de se manifestar.

Quando mexem com uma mulher, mexem com todas nós!

Este caso é mais um exemplo do que enfrentamos em nossa luta feminista contra as grandes empresas que transformam direitos em mercadorias.

Empresas como a Águas do Sertão se apropriam de um bem comum essencial, a água, e tratam o território como fonte de lucro, ignorando o impacto direto que isso tem na vida das pessoas, especialmente das mulheres. Essa privatização dos serviços básicos representa uma violência cotidiana contra quem já vive em condições de vulnerabilidade, aprofundando desigualdades e destruindo o meio ambiente.

A luta por água de qualidade é também a luta por soberania, por dignidade e por justiça. Água é vida, é um direito humano fundamental, não pode ser tratada como mercadoria!

Expressamos nossa solidariedade à população afetada e reforçamos nosso apoio às reivindicações e à luta por:
– Abastecimento de água contínuo e de qualidade;
– Revisão das tarifas, especialmente em áreas sem fornecimento regular;
– Plano público de investimentos e melhorias com prazos claros.

Destacamos especialmente as famílias mais vulneráveis, em sua maioria mulheres chefes de família, que enfrentam situações de vulnerabilidade social e financeira. Essa mobilização busca garantir direitos básicos e a prestação de um serviço essencial, reafirmando que a luta é legítima e necessária para a justiça social.

Água é direito, não mercadoria!
Nossa luta é coletiva, popular e feminista!
Seguiremos em marcha até que todas sejamos livres!

Marcha Mundial das Mulheres – AL

fevereiro 2026

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