Movimento feminista entrega ao governo reivindicações e manifesto assinado por mais de 400 organizações às vésperas do 8 de Março
06/03/2026 por @admin
A Articulação Nacional do 8 de Março de 2026, formada por 42 organizações, movimentos sociais, sindicatos, coletivos feministas e entidades de todo o Brasil, entregou no último dia 5 de março à Ministra de Estado das Mulheres, Márcia Lopes, e à Secretaria Geral da Presidência, o Manifesto do Dia Internacional de Luta das Mulheres, que conta com mais de 400 assinaturas e um Documento de Posicionamento e Propostas com reivindicações ao governo federal.
O ato marcou o processo de mobilização nacional que culmina nas grandes manifestações previstas para o 8 de março de 2026, Dia Internacional de Luta das Mulheres, sob o lema “Pela Vida das Mulheres: Contra o Imperialismo, por Democracia, Soberania e pelo Fim da Escala 6×1”.
A articulação, que debateu coletivamente desde janeiro de 2026 em reuniões semanais, reúne organizações nacionais, regionais, estaduais e municipais. As pautas apresentadas são também desdobramentos da 5ª Conferência Nacional de Políticas Públicas para as Mulheres (5ª CNPM), realizada em Brasília entre 29 de setembro e 3 de outubro de 2025.
O Manifesto
O manifesto público, endossado por mais de 400 organizações, afirma que a luta das mulheres nasce da capacidade histórica de auto-organização feminista e declara o feminismo da articulação como internacionalista, antifascista e antirracista. O documento denuncia a ofensiva dos Estados Unidos na América Latina e no Caribe, o avanço da extrema direita e o papel das Big Techs na propagação do conservadorismo e da misoginia.
O texto destaca que, em 2025, a maioria das 1.470 mulheres assassinadas no Brasil eram mulheres negras, e que o feminicídio ocorre predominantemente dentro de casa, praticado por parceiros ou ex-parceiros. A articulação exige ampliação do orçamento para políticas de enfrentamento à violência e às desigualdades vividas pelas mulheres.
Entre as bandeiras centrais do manifesto estão pautas que atravessam o conjunto das mulheres do campo, das florestas, das águas, das cidades, LBTs, como: o fim da escala 6×1 sem redução salarial; o reconhecimento e a socialização do trabalho doméstico e de cuidados; a implementação da Lei nº 15.069/2024 da Política Nacional de Cuidados; a legalização do aborto; a reforma agrária popular; a agroecologia; a taxação das grandes fortunas; e a defesa da democracia frente ao avanço da extrema direita.

