Marcha Mundial das Mulheres na 1ª Conferência Internacional Antifascista: Leia o manifesto e confira nossa agenda

23/03/2026 por

Fórum Palestina Livre em Porto Alegre, 2012. Foto: Acervo: MMM

Nós, da Marcha Mundial das Mulheres (MMM), celebramos a luta dos povos contra o fascismo e o imperialismo pelo Brasil e no mundo. Participamos da organização da 1ª Conferência Internacional Antifascista em Porto Alegre porque vivemos um contexto internacional de ofensiva imperialista que tem como estratégia a submissão política e econômica dos povos do Sul global, condição para o capitalismo racista, heteronormativo e patriarcal.

Na Abya Yala, estamos em disputa imperialista desde o início da colonização, que usa os mesmos mecanismos de controle do trabalho, dos nossos corpos e dos territórios com muita violência para intensificar o conflito capital-vida. Nós estamos vivendo um estado de guerra permanente, seja por conta de conflitos armados, da militarização dos territórios, da violência policial, do controle das fronteiras e da criminalização da pobreza. 

Seja pela guerra silenciosa capitaneada pelas empresas transnacionais de tecnologia (big techs) que utilizam suas ferramentas de comunicação e controle dos dados para propagar, fomentar e ditar ações, opiniões e discursos misóginos, racistas e lgbtfóbicos através das mídias e redes digitais. Assim, a direita e extrema direita conservadora, acentua e cria ameaças e violências concretas e de opressão sobre os corpos, sexualidades e a vida das mulheres.

Atualmente vivemos um belicismo gigantesco, do qual o militarismo, o fascismo e o imperialismo são peças-chave na engrenagem da estrutura social capitalista, racista, heteronormativa, patriarcal e colonialista. É por isso que precisamos destruir todos esses sistemas ao mesmo tempo, pois estão profundamente inter-relacionados. 

Somos mulheres organizadas contra as guerras e denunciamos uma economia baseada na destruição de nossos corpos e territórios, alastrada pelo mundo pelo decadente império estadunidense. Numa tentativa de segurar seu poder hegemônico, os EUA e aliados utilizam a impunidade para manter o lucro e um projeto político que oprime a maioria dos povos. Isso porque, ao atacar alguns, impacta diretamente o conjunto do planeta como vivemos agora com a crise do petróleo. Além de o complexo industrial militar ser o que mais mata, é também o que mais polui o nosso planeta. 

Nossa luta expressa a solidariedade feminista internacionalista aos povos que resistem aos conflitos armados e às ofensivas dos EUA. Somos testemunhas da agressão militar no Oriente Médio, no Irã e na Venezuela, do bloqueio energético à Cuba, do cruel genocídio contra o povo palestino e da ocupação do Saara Ocidental. Esse contexto nos impulsiona contra o necrocapitalismo e em defesa da vida. A guerra é a manifestação mais brutal do modelo patriarcal de acumulação, e as mulheres sabem que jamais poderão ser livres em terras afetadas por ocupação, violências físicas e psicológicas, estupros, intervenção ou ameaças.

Condenamos a hipocrisia de ataques como os dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, frequentemente justificados sob o pretexto de “libertar as mulheres”. A liberdade e a democracia não são alcançadas por intervenções imperialistas ou operações de combate. 

Reafirmamos nosso compromisso de resistir aos fundamentalismos e nos opomos à presença militar estrangeira e à imposição de sanções, em qualquer território soberano.

A derrota eleitoral da extrema-direita no Brasil não eliminou a ameaça fascista, que se articula globalmente com o apoio do grande capital. Enquanto isso, estamos assistindo diariamente a dezenas de mulheres serem assassinadas em nosso país pelo simples fato de serem mulheres.

Da Argentina de Milei aos EUA de Trump, o projeto autoritário avança, mas encontra uma barreira viva na resistência dos povos. A paz real só virá por meio de nossas lutas feministas populares, da soberania popular e da autodeterminação dos povos.

Diante disso, é um salto importante trazer a 1ª Conferência Internacional Antifascista para Porto Alegre, que já abrigou a iniciativa do Fórum Social Mundial que foi um marco importante numa cidade que já foi referência em participação popular. Contudo, o processo dos Fóruns Sociais Mundiais chegou ao seu limite por ter perdido o espírito de fato popular com o decorrer dos anos ao ser hegemonizado por ONGs que têm outros meios, objetivos e propostas de mudanças. Apesar disso, o internacionalismo dos povos continuou sendo construído por outros processos e articulações. Em 2012, Porto Alegre também sediou o Fórum pela Palestina Livre, protagonizado pela mão de militantes pela causa da Palestina. 

A cidade vive hoje um distanciamento drástico de seu legado como referência global de participação popular e cuidado social. Porto Alegre, que já foi celebrada como a capital da democracia participativa e reconhecida pela UNESCO como amiga das crianças, enfrenta atualmente um processo de destruição promovido por gestões conservadoras e fascistas que priorizam o lucro em detrimento da vida. 

Enquanto o espírito popular dos primeiros Fóruns Sociais Mundiais recuou, a capital gaúcha foi entregue à especulação imobiliária, resultando na degradação da biodiversidade e na negação de direitos básicos às populações periféricas como falta de água e saneamento. Essa realidade tornou-se ainda mais evidente diante da crise climática e das enchentes, que expuseram a fragilidade de uma infraestrutura urbana voltada ao mercado, castigando as mulheres e as comunidades que, diante da ausência do Estado, precisam sustentar a vida através da solidariedade e da construção de alternativas populares.

Por isso é fundamental neste momento a 1ª Conferência Internacional Antifascista ter sede aqui.

A Marcha Mundial das Mulheres amadureceu como movimento de 26 anos e hoje temos acúmulos concretos e várias transformações em curso. Buscamos nos fortalecer, florescer e crescer em nossa auto-organização para enfrentar e erradicar todas as formas de violência, combatendo firmemente os feminicídios, lesbocídios, transfeminicídios e as violências que atingem cruelmente as crianças e meninas.

Nossa luta é pela construção de territórios seguros e pela sustentabilidade da vida, marchando até que nenhuma mulher ou criança sofra sob o controle de corpos e territórios.

Até que todas sejamos verdadeiramente livres, seguiremos em marcha!

Confira a programação da Marcha Mundial das Mulheres na 1ª Conferência Internacional Antifascista:

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