Documento com os acúmulos políticos da 6ª Ação Internacional da Marcha Mundial das Mulheres no Brasil (2025)
10/04/2026 por @admin

A 6ª Ação Internacional da Marcha Mundial das Mulheres (MMM), realizada entre 8 de março e 17 de outubro de 2025, mobilizou mulheres em todas as regiões do Brasil. As ações denunciaram a ofensiva imperialista que se apresenta nos territórios. Ao mesmo tempo, as resistências construídas apontam alternativas, como a agroecologia e a economia solidária baseada na economia feminista. As ações posicionaram a luta das mulheres como fundamental para enfrentar o capitalismo patriarcal e racista. A Ação se dividiu em quatro eixos centrais, que organizam esta cartilha: defesa dos bens comuns e enfrentamento às empresas transnacionais; economia feminista baseada na sustentabilidade da vida e na soberania alimentar como alternativa concreta à economia capitalista, patriarcal e racista; fim da violência contra as mulheres, autonomia sobre os corpos e sexualidades; paz e desmilitarização.
As ações dialogaram com pautas locais e nacionais da agenda da luta popular, como o Plebiscito Popular contra a jornada 6×1 e pela taxação de grandes fortunas, a Cúpula dos Povos frente à COP 30, a 5ª Conferência Nacional de Políticas Públicas para as Mulheres e a 2ª Marcha Nacional das Mulheres Negras. Os espaços de participação social também marcaram o ano com conferências que disputaram os sentidos das políticas públicas e o papel do Estado, como a 5ª Conferência de Políticas Públicas para as Mulheres. Esse processo contribuiu para reafirmar e atualizar as formulações da MMM no Brasil, as quais apresentamos nesta plataforma política.
Compreendemos que o contexto atual é marcado por mais uma profunda crise do sistema capitalista e do imperialismo. Para resolver seus problemas de acumulação e manutenção da hegemonia, o capital aposta nas guerras como solução. Dessa maneira, a escalada da lógica de guerra é um fator determinante da conjuntura. Por isso, é o eixo da Ação Internacional que abre esta cartilha. A indústria da guerra e sua ofensiva sobre a vida e os territórios se articula com o avanço das transnacionais e a necessidade de defender os bens comuns, eixo acolhido pela maior parte dos estados da Marcha Mundial das Mulheres para a realização de ações.
Em seguida, articulamos essa ofensiva sobre os territórios com a ofensiva sobre nossos corpos, vidas e sexualidades. A conjuntura de guerra, o avanço do conservadorismo e a ofensiva da extrema-direita têm imposto uma realidade de violência e de maior tentativa de controle dos nossos corpos. Vemos um aumento dos ataques às mulheres lésbicas, bissexuais e transexuais (LBT), além da tentativa recorrente de criminalizar as mulheres que lutam pela legalização do aborto em todos os casos e de restringir a legislação atual sobre o aborto, já extremamente limitado em nosso país.
Cada vez mais fica evidente que as leis focadas apenas na punição não dão conta de conter o avanço da violência determinado pela conjuntura. Por outro lado, as alternativas que as mulheres têm desenvolvido para construir uma vida livre de violência são baseadas no fortalecimento da auto-organização feminista nos territórios. Ainda no sentido das alternativas, fechamos esta cartilha apresentando a construção da economia feminista como proposta capaz de transformar o mundo e a vida das mulheres.
Relembre também:

Clique aqui para assistir os vídeos produzidos pelo Coletivo de comunicadoras das atividades da 6ª Ação nos estados.
Série de vídeos sobre os eixos da 6ª Ação:
Série de 4 vídeos que abordam os 4 eixos de luta trabalhados pela MMM nesta 6ª Ação Internacional: Economia feminista, Defesa dos bens comuns, Paz e desmilitarização, Fim da violência contra as mulheres.
Vídeo #1 – Economia Feminista
Vídeo #2 – Defesa dos bens comuns
Vídeo #3 – Paz e desmilitarização
Vídeo #4 – Basta de violência!