Militantes da MMM Minas Gerais realizam plenária organizativa e debatem a agenda das mulheres para o próximo período
15/04/2026 por @admin

A Plenária Estadual de Minas Gerais, realizada nos dias 11 e 12 de abril, reuniu as mulheres do Triângulo Mineiro, Zona da Mata, Jequitinhonha e Belo Horizonte. Os objetivos da atividade foram atualizar a análise sobre a situação política e econômica das mulheres, por meio da metodologia de educação popular feminista, e organizar a atuação coletiva das mulheres de Minas Gerais.
A plenária começou com uma formação política e feminista acerca de como fazer uma análise de conjuntura, utilizando o materialismo histórico-dialético como lente para compreender a influencia do cenário internacional nas realidades locais. Na Marcha Mundial das Mulheres, essa análise é fundamental porque se compreende que o mundo é movido por uma engrenagem onde o capitalismo, patriarcado e racismo são sistemas inseparáveis. O debate refletiu que são as mulheres que sustentam a sociedade através do trabalho reprodutivo, pois, sem o trabalho de cuidado cotidiano, a força de trabalho produtiva não existiria e o sistema capitalista colapsaria.
Ao olharmos para o horizonte global, as mulheres identificaram uma crise estrutural que se manifesta no colapso climático e na precarização do trabalho, mantido por um poder hegemônico que se alimenta de guerras e bloqueios econômicos. No Brasil, esse cenário ganha contornos com o avanço da extrema direita e de um conservadorismo que usa a família tradicional patriarcal como arma política para desmontar as políticas de igualdade de gênero implementadas nos últimos anos. Isso se desdobra em uma misoginia digital agressiva, onde as Big Techs lucram com a disseminação do ódio e de fake news que atinge as mulheres, sobretudo com maior gravidade às mulheres negras e pobres. Em Minas Gerais, o peso desse modelo se dá através da mineração e da especulação imobiliária, que avançam sobre os territórios sob o manto de uma forte tradição religiosa que tenta silenciar as pautas das mulheres.
Diante desse cenário, as mulheres reafirmaram que nossa luta contra a misoginia e o racismo estrutural deve ser coletiva. Por isso, Minas Gerais segue sendo esse território de resistência histórica, onde as mulheres se colocam na linha de frente contra a mineração e em defesa da vida.
O segundo dia da Plenária foi dedicado a fortalecer os processos de organização das mulheres de Minas Gerais, transformando suas reflexões em ferramentas concretas. Discutiram como a comunicação popular pode romper as bolhas digitais e como a sustentabilidade financeira é central para a autonomia política, garantindo que a Marcha continue em movimento, até que todas sejamos livres.