Declaração internacional da Marcha Mundial das Mulheres – 30 de março, Dia da Terra Palestina
30/03/2026 por @admin

Leia em espanhol, inglês e francês no site da MMM Internacional
Em 30 de março de 1976, o povo palestino se levantou contra o acaparamento israelense de suas terras, dia em que as forças de ocupação israelenses mataram seis pessoas durante as manifestações, ferindo centenas. Desde então, todo dia 30 de março se tornou o Dia da Terra Palestina, um dia de resistência enraizado na defesa da terra, da vida e da existência coletiva diante do despojo colonial.
Hoje enfrentamos a guerra e a militarização cada vez mais amplas e agravadas em todo o mundo. As terras e as vidas dos povos se tornam campos de batalha com o propósito de manter a hegemonia geopolítica das forças imperialistas. Da Palestina ao Irã, do Líbano ao Iraque, de Cuba à Venezuela, do Sudão ao Saara Ocidental, o objetivo é o mesmo: ampliar o controle sobre recursos energéticos mediante a fragmentação e a supressão da soberania dos povos.
Vivemos em um mundo no qual a acumulação se sustenta por meio da guerra, da ocupação e da destruição. Hoje somos testemunhas da expressão mais explícita e brutal dos sistemas de opressão na Palestina. Nossas companheiras palestinas apontam que não se trata de uma nova escalada, mas de uma realidade constante de ocupação, apartheid e violência colonialista.
Em Jerusalém, o povo palestino segue submetido a um regime de deslocamento forçado e genocídio. As expulsões em curso em Silwan e Sheikh Jarrah e a demolição sistemática de moradias fazem parte de uma estratégia deliberada para fragmentar e eliminar a presença palestina. O fechamento da mesquita de Al-Aqsa durante o Ramadã representa não apenas uma restrição à liberdade religiosa, mas um ataque à vida coletiva, à memória e à identidade.
Na Cisjordânia, as incursões militares, as detenções, a violência dos colonos e a expansão dos assentamentos agravam a fragmentação e o despojo. As restrições à liberdade de movimento e a confiscação de terras são instrumentos de controle que sufocam a vida cotidiana e negam qualquer possibilidade de estabilidade.
Em Gaza, o bloqueio em curso e os repetidos ataques militares geraram uma realidade humanitária catastrófica. Comunidades inteiras são destruídas e sistematicamente privadas do acesso a alimentos, água, atenção à saúde e eletricidade. O que se desenvolve não é apenas uma crise, mas uma política deliberada de punição coletiva. Em toda a Palestina, os postos de controle, a vigilância e a presença militar condicionam a vida cotidiana. As crianças crescem sob a ocupação, aprendendo que o medo é uma condição de sua existência.
As mulheres palestinas estão na linha de frente da resistência
As mulheres palestinas assumem o peso de sustentar a vida sob o cerco, garantindo a sobrevivência em meio à destruição, ao deslocamento e às privações econômicas. Elas resistem não apenas à ocupação, mas também aos sistemas imbricados de opressão e exploração que determinam suas condições de vida.
Reconhecemos a liderança das mulheres palestinas por meio da organização popular, da solidariedade comunitária e do cuidado coletivo. Apoiamos nossas companheiras e irmãs palestinas que defendem a vida diante do necrocapitalismo.
Essa resistência não é uma exceção
Denunciamos a guerra travada pela hegemonia geopolítica imperialista no Oriente Médio.
A guerra imperialista contra o Irã provoca uma destruição ambiental irreversível, que pune não apenas a resistência atual, mas também as futuras gerações desse território.
No Líbano, as violações da soberania, os deslocamentos forçados e a destruição de infraestruturas civis refletem uma estratégia de punição coletiva e de despojo de territórios.
No Iraque, os contínuos ataques aéreos e as operações militares geram insegurança generalizada, danos à população civil e repressão dos movimentos feministas e civis.
No Kuwait, os ataques contra zonas civis indicam a expansão do conflito e a crescente vulnerabilidade da população.
As mulheres, nas zonas de guerra, estão na linha de frente para sustentar a vida, ao mesmo tempo em que enfrentam uma violência, uma pobreza e uma repressão cada vez mais intensas.
Denunciamos a ocupação israelense e a colonização em curso dos territórios palestinos, bem como o genocídio em Gaza e todas as formas de punição coletiva impostas ao povo palestino e às mulheres palestinas.
Condenamos veementemente as intervenções imperialistas, a presença militar estrangeira e a expansão da guerra por toda a região, assim como o uso de sanções e embargos como instrumentos de dominação e controle.
Da mesma forma, nos opomos à criminalização dos movimentos feministas e à redução do espaço cívico sob os chamados pretextos de segurança, que pretendem silenciar a resistência e reprimir as lutas por justiça e libertação.
Reafirmamos que a paz não pode ser construída mediante a militarização, a ocupação ou a intervenção imperialista.
A paz só pode emergir das lutas dos povos, da autodeterminação e de alternativas feministas que coloquem a sustentabilidade da vida no centro.
A libertação das mulheres só é possível mediante a luta feminista.
Do rio ao mar,
A Palestina vencerá!
Marcha Mundial das Mulheres