Marcha Mundial das Mulheres em solidariedade à Dep. Erika Hilton e à todas as mulheres trans e travestis
26/03/2026 por @admin

A Marcha Mundial das Mulheres, ao tomar conhecimento das recentes declarações transfóbicas que, na figura da deputada Erika Hilton, foram dirigidas a todas as mulheres trans pelo influenciador Thiago Foltran e o apresentador Ratinho, manifesta sua profunda solidariedade a deputada e todas as companheiras diretamente agredidas e a toda a população de mulheres trans e travestis que se reconhece ferida por esse ataque. Essas violências não são fatos isolados, mas parte de um processo contínuo de desumanização que tenta negar nossa existência, nossa dignidade e nosso lugar na luta feminista.
Reafirmamos que a Marcha Mundial das Mulheres tem um compromisso histórico e inegociável com todas as mulheres, em toda a sua diversidade. Esse compromisso inclui, de forma explícita, nós, mulheres trans, que também somos mulheres, trabalhadoras, estudantes, militantes, mães, filhas, cuidadoras, intelectuais e sujeitas políticas. Não aceitaremos qualquer tentativa de fragmentar o sujeito do feminismo, de hierarquizar vidas ou de produzir categorias de mulheres mais ou menos legítimas.
O ataque às mulheres trans é um ataque a todo o movimento feminista, porque busca reinstalar um modelo de “mulher” restrito, excludente e disciplinador, que sempre serviu aos interesses do patriarcado, do racismo e da exploração de classe.O feminismo pelo qual lutamos é antirracista, anti‐LGBTfóbico e comprometido com a vida de todas as que são alvo da violência patriarcal. Construímos a luta anticapitalista a partir dessa visão feminista antissistêmica.
Diante disso, afirmamos:
Nos colocamos lado a lado com as mulheres trans atacadas, oferecendo nossa solidariedade política e nossa disposição para construir respostas coletivas e organizadas. Rejeitamos qualquer discurso que tente usar o feminismo como justificativa para a exclusão, o silenciamento ou a deslegitimação de nossas identidades. Reafirmamos que não há feminismo possível sem o reconhecimento das mulheres trans como parte da nossa luta.
Seguiremos construindo espaços de formação, organização e enfrentamento em que todas as mulheres em sua diversidade sejam reconhecidas plenamente em sua humanidade e em seu papel central na transformação do mundo.
Às mulheres trans que hoje se sentem feridas, lembramos: vocês não estão sozinhas. A Marcha Mundial das Mulheres está em com vocês, somos solidárias e juntas construiremos respostas coletivas à violência!
Seguiremos em Marcha até que todas sejamos livres!
25 de março de 2026