Por uma política para cuidar da vida: Confira o novo jornal da MMM

24/07/2026 por

Este é o novo jornal da Marcha Mundial das Mulheres (MMM) sobre a Política Nacional de Cuidados. Queremos que este material chegue aos nossos territórios como ferramenta feminista de mobilização e luta.

Clique aqui para baixar o documento do jornal em tamanho A4

Nada funciona no mundo sem o trabalho doméstico e de cuidado realizado pelas mulheres todos os dias. O cuidado pode ser direto, quando é realizado na interação entre as pessoas: dar banho, dar colo, companhar. O cuidado também pode ser indireto, como cozinhar, lavar ou limpar.

Esse trabalho doméstico é uma necessidade para que exista o cuidado. Ele é uma condição para a vida de todas as pessoas. Por isso, falamos de trabalho doméstico e de cuidado, sem separar ou hierarquizar os trabalhos.

A hierarquização e divisão do trabalho organiza a própria economia capitalista a partir de marcadores de raça e classe. Quase 70% das trabalhadoras domésticas do país são mulheres negras, o mesmo perfil que predomina entre babás e cuidadoras de idosos. 42% das mulheres negras não conseguem procurar emprego por causa da responsabilidade com o trabalho doméstico e de cuidados, número que cai para 31% quando se considera o conjunto das mulheres brasileiras.

A desigualdade regional também atravessa o cuidado: enquanto 91% das casas no Sul do país têm máquina de lavar, no Nordeste esse número cai para 42%, e no campo é ainda menor. Sem infraestrutura básica, transporte, posto de saúde, creche, o cuidado não se torna direito de fato, especialmente nos territórios do campo, das águas e das florestas.

No campo, cuidado com as pessoas e cuidado com a natureza não se separam. Produzir alimento saudável, defender o território contra o agronegócio e a mineração, guardar sementes crioulas e fazer agroecologia caminham junto com o trabalho doméstico. No semiárido, as mulheres reivindicam a “terceira água”: além da água para beber e para produzir, a água para o trabalho doméstico e de cuidado. A política de cuidados no campo não pode copiar o modelo da cidade, precisa respeitar os biomas e se integrar à produção e à agroecologia.

A MMM disputa as propostas de remuneração para que as mulheres fiquem em casa cuidando. Esse tipo de medida confinaria as mulheres ao espaço privado, de forma precária, em vez de socializar a responsabilidade pelo cuidado entre Estado, homens e sociedade.

Como alternativa, defendemos uma rede pública de cuidados: creches e escolas em tempo integral, cuidotecas e brinquedotecas em universidades e institutos federais, lavanderias públicas coletivas, restaurantes populares e cozinhas comunitárias, centros-dia e atendimento domiciliar articulado ao SUS e ao SUAS, além de transporte que conecte esses serviços.

A lavanderia agroecológica Nalu Faria, em Mulunguzinho, distrito de Mossoró (RN), é um exemplo concreto dessa proposta: primeira lavanderia agroecológica da América Latina, funciona com energia solar, reúso da água, brinquedoteca, copa e espaço de reunião.

A extrema-direita e o conservadorismo defendem um modelo heteropatriarcal de família responsável por substituir o Estado no cuidado. Esse projeto ignora a realidade de quase metade dos lares brasileiros, hoje chefiados só por mulheres, e o crescimento das pessoas que moram sozinhas, entre as quais predominam mulheres idosas.

O material completo está disponível para download e pode ser impresso, compartilhado e usado em rodas de conversa, reuniões de base e atividades de formação nos territórios, uma ferramenta para que cada organização leve a Política Nacional de Cuidados para dentro de sua própria agenda de luta.

Seguiremos em marcha até que todas sejamos livres!

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